Opinião GP: Norris toma golpe duro e tem de se reinventar para caçar favorito Piastri

Opinião GP: Norris toma golpe duro e tem de se reinventar para caçar favorito Piastri

Murillo Torres
Murillo Torres
Piracicaba - SP
Publicado em 01/09/2025 às 04h

A CENA DE LANDO NORRIS sentado em um morrinho do circuito de Zandvoort, ainda de capacete e cabeça baixa, lembrou bem o drama vivido por Lewis Hamilton em 2016. Essa foi uma percepção geral após o abandono deste domingo (31), porque naquela temporada o agora heptacampeão travava uma batalha pelo Mundial com o companheiro de Mercedes, Nico Rosberg. Hamilton vinha tentando a recuperação no campeonato, quando o motor quebrou na volta 40 do GP da Malásia — corrida que o inglês liderava desde a pole e que o colocaria na frente na tabela. O revés apimentou a disputa e tornou mais difícil a busca pelo título, que acabou nas mãos do piloto alemão. O problema é que a história que Lando tenta contar em 2025 é bastante diferente daquela que Lewis escreveu nove anos atrás. Simplesmente, porque o então tricampeão não precisou lançar mão de uma nova abordagem ou qualquer coisa que o valha. Foi apenas combativo e soube como usar o ótimo carro tinha nas mãos. Já Norris terá de mudar, de se reinventar ou vai ver amargar uma derrota ainda mais doída.

Essa sensação vem do fato de que o piloto da McLaren era muito favorito à taça deste ano, mesmo antes da temporada começar. A experiência da briga em 2024 deveria servir para alguma coisa, bem como o vencedor carro que tem à disposição. No entanto, o que se vê são atuações cambaleantes e erros em momentos decisivos, enquanto o líder Oscar Piastri tira proveito mais consistentemente dos vacilos. É bem verdade que o australiano enfrentou seus demônios em diversos momentos, mas é igualmente certo dizer que nem sempre Norris esteve lá para aproveitar.

Ainda assim, houve lampejos de desempenho. Lando foi capaz de vencer em um dia equivocado de Oscar — naquele GP da Inglaterra em que o rival foi punido depois de frear bruscamente atrás do safety-car. Inclusive, a vitória em Silverstone, depois da conquista na Áustria se configurou na primeira sequência de triunfos de Lando na Fórmula 1. Mas é pouco ainda, se considerar que Piastri levou três provas consecutivas, entre Bahrein e Miami, além de ter vencido na China, na Espanha e na Bélgica. Portanto, o placar segue em déficit no que diz respeito ao inglês: após 15 corridas, está 7 x 5 para o dono do carro #81.

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E o que aconteceu nos Países Baixos foi muito simbólico. Norris havia vencido três das últimas quatro corridas. O triunfo na Hungria, em um dia também errático de Piastri, parecia ter sido um impulso para o início desta segunda fase de temporada. Afinal, Lando liderara todos os treinos até a classificação em Zandvoort e se mostrava mais à vontade. Aí veio o primeiro revés: Oscar foi mais decisivo na hora que valia e arrancou a pole, o que tornou o cenário amplamente favorável em uma pista de difícil ultrapassagem. Dito e feito. Assim que as luzes se apagaram, o australiano largou bem e não deu chances, já o britânico se viu superado por Max Verstappen, que quase perdeu o controle do carro na sequência.

Lando levou nove voltas até retomar o segundo posto, enquanto o companheiro de McLaren liderava com serenidade. E um fato que chama atenção a cada corrida também é a superdependência que Norris parece ter do engenheiro Will Joseph, que precisa a todo instante instruir o piloto do que fazer. No fim das contas, o britânico jamais esteve em posição de ameaçar o adversário, mesmo tendo um carro de rendimento muito semelhante — e aqui é importante dizer: a McLaren sobra em 2025, mas em Zandvoort a distância foi ainda maior, as intervenções do safety-car acabaram por mascarar o melhor ritmo dos papaias. De toda a forma, apenas o inglês teria condições de entrar na briga pela vitória e, apesar da insistência do engenheiro, a situação pareceu cômoda para o carro #4, que decidira caminhar tranquilamente para o segundo lugar.

“Fui rápido hoje”, disse Lando. “É impossível ultrapassar aqui. Foi uma boa corrida. Fiquei feliz por ter conseguido ficar a 1s5, 2s dele. Foi uma corrida positiva, mas não significou nada. Não consegui passar. O Oscar mereceu hoje. Só não foi o meu fim de semana”, completou.

“É difícil revidar contra alguém que é bom em praticamente todas as situações. Só tenho que continuar lutando, continuar fazendo o que posso”, reconheceu.

A falha técnica, que o tirou da disputa a 7 voltas do fim, é um golpe duro, duríssimo. Porque Oscar foi capaz de abrir 34 pontos, que, embora pareça ainda tangível, levanta dúvidas sobre a habilidade de Norris em conduzir uma reviravolta, algo que seria inédito na temporada. Em tese, para alcançar Piastri, o piloto inglês teria de vencer as próximas cinco corridas, mesmo com o australiano em segundo. Isso o colocaria um ponto à frente, ainda restando quatro etapas para o fim do campeonato. É um cenário possível, mas desde que Lando mude a abordagem e acione um modo mais agressivo e sem erros.

No momento, Piastri é o favorito ao título. Não só pela robusta vantagem que possui na tabela de classificação, mas principalmente pela forma como encara o campeonato. O fim de semana neerlandês é uma prova disso. O australiano começou os treinos atrás e foi melhorando gradativamente, ao ponto de roubar a pole no momento decisivo, e isso acabou sendo também fundamental para a vitória, mas ele traçou um caminho firme até lá. E agora está na melhor posição possível, porque não tem a pressão por resultados e pode já pensar em como administrar a vantagem.

Oscar Piastri é favorito ao título da F1 em 2025 (Foto: AFP)

E se há alguma dúvida sobre o quanto Norris terá de se reinventar, o chefe da McLaren, Andrea Stella, deu a deixa ao falar da atuação de Piastri. “Diria que o fim de semana de Oscar foi bem característico dele, porque vimos o foco no desenvolvimento durante os treinos, aproveitando o aprendizado. Vimos a entrega no momento que importa, que é a classificação. Então vimos que, quando chove, ele se mostra caracteristicamente bastante à vontade, mantém a situação sob controle e é bastante preciso na execução. Enquanto faz isso, permanece sempre calmo e lúcido”, explicou o dirigente italiano.

“Por isso, este foi um daqueles fins de semana, digamos, dignos de Oscar. Isso prova maturidade e o nível de habilidade como piloto de Fórmula 1.”

Fórmula 1 volta de 5 a 7 de setembro no GP da Itália, em Monza, 16ª etapa da temporada 2025.

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