A dura realidade do mundo em que vivemos. Depois de quatro semanas de descanso e alegria durante o recesso de meio de temporada, pilotos e equipes da Fórmula 1 já começaram a lidar com o sofrimento do trabalho no mundo real ao iniciarem, nesta sexta-feira (5), a segunda etapa em uma semana. E o desenho do GP da Itália no começo dos trabalhos demonstrou um desenho um tanto distinto.
A Ferrari é definitivamente um incômodo para a McLaren. Após anotar um 1-2 no treino livre inicial, com Lewis Hamilton na frente de Charles Leclerc, caiu para trás da McLaren — somente de Lando Norris, no caso — no TL2. Mas Leclerc esteve no mesmo décimo. A McLaren, assim, ainda mostra absoluta viabilidade para levar a melhor na classificação do sábado, mas tem companhia muito mais próxima que em Zandvoort.
Quem tem coisa a comemorar é a Williams. Assim como nos últimos anos, o time inglês apontou motivos para se animar na pista de Monza, onde foi bem repetidamente. Carlos Sainz também terminou o TL2 no mesmo décimo de Norris, pudera, com Alexander Albon ali perto. É notícia ruim para Sauber e Racing Bulls na briga pelo topo do pelotão intermediário.
Atrás, porém, o caminho da Alpine é o inverso. Cada vez mais amarga o fim da fila, mas sobretudo na pista de altíssima velocidade da sede italiana.

Há muito tempo para virar a história do fim de semana, mas, ao menos do ponto de vista climático, não tem para onde correr. As chances de chuva até existem, mas ficam em somente 2% no sábado e 5% no domingo. O que se espera é, como hoje, dias ensolarados e de calor nos últimos suspiros de verão na Europa.
O GRANDE PRÊMIO separou cinco coisas que aprendemos na sexta-feira do GP da Itália, 16ª etapa da F1 2025.
Como ouviu Rocky Balboa, certa vez, enquanto cruzava a Cortina de Ferro para duelar contra Ivan Drago: se sangra, é humano. E, se é humano, pode ser derrotado. A McLaren diminuiu a força no primeiro dia de pista em Monza. Mesmo que Lando Norris tenha liderado o TL2, foi ele mesmo quem elucidou depois da situação. “É o completo oposto ao nível de downforce de Zandvoort, quando éramos facilmente os mais rápidos e a sensação era incrível. Aqui é o oposto”, explicou. Mesmo numa pista que não casa com os pontos mais fortes, porém, a McLaren ainda é favorita. Mas sangra. E, num lugar em que tudo vermelho quer dizer Ferrari, é bom ter cuidado.

A história da temporada 2025 até aqui não favorecia que a Ferrari chegasse ao gramado verde de casa com aspirações reais de vencer. Mas, verdade seja dita, o primeiro treino livre da sexta-feira ofereceu ao menos o aconchego das boas memórias. Ainda com direito a uma dobradinha. Mas o TL2 trouxe o amargor da realidade, com Lando Norris batendo a carteira. O principal, porém, foi a sensação tanto Lewis Hamilton quanto de Charles Leclerc de que as alterações feitas no carro entre os dois treinos deram errado. O restante do fim de semana ferrarista em casa será pautado pelo quanto a equipe entende do próprio bólido. Se souber o que deu errado, tem tudo para brigar ao menos pela pole no sábado. Se não compreender ao certo, aí tudo fica 100% na conta da aleatoriedade.
Entra ano, sai ano e a Williams continua respondendo de vento em popa em Monza. A alta velocidade, baixo downforce e necessidades de menos nuances na tocada do carro em relação a outras pistas faz com que os carros azuis se sobressaiam. Dois anos atrás, a chance de assumir de supetão a Williams em Monza fez com que Nyck de Vries pontuasse e acabasse ganhando uma praticamente impensável vaga no grid. Ano passado, amargava tempos sem pontuar, mas Albon voltou a terminar no top-10 lá e Franco Colapinto, estreando na categoria, impressionou. Agora, com carro em alta no pelotão intermediário, o primeiro dia foi impressionante. Carlos Sainz foi terceiro colocado no TL2 e terminou menos de 0s1 mais lento que o líder Norris. Alexander Albon foi sétimo, mas também mostrou que tinha ritmo para ficar por ali. Levantou, porém, a questão maior: time precisa se certificar de que vai repetir o feito no sábado. Se a história for instrutiva, porém, vai.
Ninguém no mundo da Fórmula 1 duvida do tamanho do talento que Andrea Kimi Antonelli tem. Nos melhores momentos, assim como era na F2, é algo perceptível. Mas o piloto novato, de 19 anos recém-completados, precisa se tornar mais confiante atrás de um volante. Talvez reflexo realmente do pouco tempo que tem guiando monopostos. Só que a F1 é um touro bravo que não espera tanto tempo assim até que você aprenda a domá-lo. É preciso domar de algum jeito. O erro nos primeiros instantes do TL2 em Monza repete aquilo que fez ano passado, na primeira chance que teve de guiar o carro da Mercedes. Antonelli marcou apenas um ponto desde que foi ao pódio, no Canadá. Se a Mercedes esperava que o recesso servisse para recuperar as forças e esfriar a cabeça, dá para afirmar que não aconteceu. O erro esdrúxulo em Zandvoort, tirando Leclerc da corrida, foi seguido por mais um abandono na briga na corrida de casa. Antonelli merece paciência, sim, mas também precisa ajudar.
O ditado diz que depois da tempestade, vem a bonança. Ao menos neste caso, porém, a tempestade foi brevemente interrompida para um breve período de quase bonança. Se Colapinto fungou no cangote dos pontos nos Países Baixos, a realidade da Itália é cruel. A dupla da Alpine terminou o segundo treino livre completamente desprendida do pelotão, que ficou quase inteiro juntinho. Na realidade, Gasly e Colapinto se equipararam somente a Antonelli, que só deu uma única volta rápida — e usando pneus duros — antes de errar e abandonar. Colapinto ficou atrás! E olha que ambos andaram por volta de 30 giros, incluindo de pneus macios. É impossível qualificar a sexta-feira da Alpine como algo diferente de vexatória.
A F1 retorna neste fim de semana, de 5 a 7 de setembro, em Monza, palco do GP da Itália, 16ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO estará IN LOCO em Monza para acompanhar todas as emoções da etapa com o repórter Leonid Kliuev.
GP da Itália de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 3 | 07:30 | 09:30 | 11:30 | 12:30 |
| Classificação | 11:00 | 13:00 | 15:00 | 16:00 |
| Corrida | 10:00 | 12:00 | 14:00 | 15:00 |
*Horário de Brasília
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