Herta admite “grande risco”, mas vê mudança para F2 como “última chance por F1”

Herta admite “grande risco”, mas vê mudança para F2 como “última chance por F1”

Murillo Torres
Murillo Torres
Piracicaba - SP
Publicado em 05/09/2025 às 07h

Pelo sonho da F1, Colton Herta deixou para trás toda trajetória consolidada na Indy para ser reserva da Cadillac e disputar a temporada 2026 da Fórmula 2 para buscar os pontos da superlicença, assim estando, enfim, estar apto para categoria mais popular do planeta. O norte-americano admitiu que a movimentação é de grande risco, mas que é a melhor oportunidade de estar na Fórmula 1.

A pontuação para obter a superlicença sempre foi um problema para Herta, que chegou a se acertar com a AlphaTauri (atual Racing Bulls) para competir na temporada 2023 da F1, mas não recebeu autorização da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) por não ter conquistado os 40 pontos para obter a licença que lhe permitiria competir pela equipe.

Na época, a situação expôs a baixa pontuação para lograr a superlicença disponibilizada para a Indy, mas o passar dos anos também deixou evidente uma certa inconsistência do próprio Herta. Em 2022, em meio às conversas com a AlphaTauri, venceu somente uma etapa e terminou na décima posição no campeonato — em 2023, terminou na mesma colocação e sem vencer nenhuma etapa. Foi vice-campeão em 2024 com duas vitórias, mas a arrancada no fim do ano não foi suficiente para disputar o título, entrando na decisão em Nashville como coadjuvante do duelo entre Álex Palou e Will Power. Em 2025, sem vitórias, ficou na sétima posição.

A mudança para F2, em teoria, facilita a missão de Herta em chegar aos 40 pontos da superlicença, pois o campeonato de acesso à F1 distribui mais tentos do que a Indy. Enquanto apenas o campeão do certame norte-americano recebe os 40 pontos, a Fórmula 2 dá aos três primeiros a mesma pontuação. Nesse momento, o ex-piloto da Andretti tem 34 tentos e precisa somente de um oitavo lugar em 2026 para conseguir o carimbo que lhe competir na F1.

Colton Herta (Foto: IndyCar)

“Todo mundo viu o quão perto eu cheguei no passado, mas acredito que esta seja minha melhor oportunidade de chegar à Fórmula 1″, disse Herta ao podcast Off Track with Hinch and Rossi, apresentado por James Hinchcliffe e Alexander Rossi, piloto da Carpenter.

“É inútil negar, o fator risco… para mim, foi uma decisão incrivelmente difícil, porque sei o que estou deixando. Fica para trás um grande grupo de pessoas, um campeonato extremamente competitivo onde, se for o seu dia, você pode vencer. Enquanto vimos que na Fórmula 1 nem sempre é assim: é preciso ter o carro certo para competir”, prosseguiu Herta.

“A coisa mais fácil seria ficar na Indy. Seria simples para mim. Manteria a vida muito parecida. É um risco, mas é meu sonho, então pensei: esta é minha última chance. Quero fazer isso, quero aproveitar essa oportunidade. Para mim, trata-se realmente de lutar pelo meu sonho”, completou Herta.

Mesmo declarando que o movimento para a F2 e reserva da Cadillac represente a melhor chance de estar na F1, Herta indicou que não possui garantias de assumir um lugar como titular no time norte-americano — de propriedade de Dan Towriss, mesmo dono da Andretti — a partir de 2027. No entanto, o vencedor mais jovem da história da Indy destacou a aposta que está fazendo nele mesmo em busca deste posto na F1.

Colton Herta e o troféu do vencedor do GP de Nashville de 2024, última vitória do piloto na Indy (Foto: IndyCar)

“Não [sobre ficar intimidado sobre a falta de garantia de um lugar na F1], não para mim. Como piloto, é preciso apostar constantemente em si mesmo. Para mim, esta é apenas mais uma dessas situações em que estou fazendo isso. Acredito em mim, que sou rápido o suficiente para conseguir”, apontou Herta.

“Não estou dizendo que será fácil, haverá muito trabalho para entender as diferenças entre as corridas de F1 e Indy, mas é algo em que me empenharei 100%. Se não acreditasse que poderia conseguir, mesmo sendo, como disse, um risco enorme, teria ficado na Indy. Mas acredito em mim, e creio que sou rápido o suficiente”, encerrou.

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