As sensações iniciais do fim de semana em Monza ganharam ares de realidade neste sábado (6), com a realização da classificação do GP da Itália. O que ficou confirmado na pista foi que a McLaren, de fato, tem muito menos controle neste ponto do mundo do que em tantos outros. Mas, além de tudo, que há um piloto específico que tem o dom de transformar fresta em latifúndio.
45 pole-positions. Max Verstappen viu o caminho que se abriu por parte dos carros laranjas e engoliu a dona da casa Ferrari. Se era para haver um azarão, que fosse ele. E assim foi. Verstappen fez duas voltas assombrosas no Q3 e mostrou quem é que manda quando a situação não é impraticável. Ainda por cima, com uma volta histórica.
Pelos lados da McLaren, nem dá para dizer que há sofrimento, mas sem dúvida alguma há certo desânimo em ver o poderio implacável de tantas outras pistas do calendário sumir. Lando Norris e Oscar Piastri até estão na briga, sim, mas não podem ser chamados de favoritos. O que existe é uma briga de gangue recheada de suspeitos.
No pelotão intermediário, quem esperava ver um sábado de ouro para a Williams, sobretudo Carlos Sainz, terminou decepcionado. A Sauber tomou pé da situação, com Gabriel Bortoleto o melhor do resto e os carros mais rápidos de velocidade final em todo o grid. Oliver Bearman, por outro lado, não foi ao Q3, mas mostrou uma vez mais como é bom piloto. Isack Hadjar, no outro extremo, foi do pódio nos Países Baixos a ver cair a escrita de jamais ter sido eliminado no Q1 desde que chegou à F1.

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O GRANDE PRÊMIO separou cinco coisas que aprendemos no sábado do GP da Itália, 16ª etapa da F1 2025.
O que falar de Max Verstappen? É difícil encontrar adjetivos para qualificar os grandes momentos do tetracampeão mundial na Fórmula 1, e a classificação do GP da Itália deste sábado está entre eles. Sumido, um tanto opaco, vendo a Ferrari inebriar o público com as ameaças ao domínio da McLaren, sabia ter uma chance. Os laranjas não são, assim, tão amedrontadores, a porta estava aberta. Por que não ele? O desenvolvimento do carro foi sendo tocado aos poucos, até a hora da decisão. Foi o mais rápido das duas rodadas de voltas rápidas no Q3. Na segunda delas, para dramaticamente superar um tempo de Lando Norris que parecia insuperável. Mas nada é intocável para Verstappen, agora dono da volta mais veloz da história da F1.

Já era sabido que a McLaren tinha menos velocidade final que as rivais, graças ao um carro afeito a altíssimo arrasto aerodinâmico. Chegava, pudera, a 10 km/h de desvantagem para Ferrari e Sauber. Mas a telemetria mostra números ainda mais duros para os donos da F1 2025. De acordo com Filippo Pesavento, especialista em dados deste calibre da F1, é impressionante notar que a McLaren passou somente 75,2% do tempo da classificação com pé embaixo na pista. A Red Bull, do pole Verstappen, chegou a 76,8%. Diferença enorme de 1,6%. A McLaren até anda melhor no setor intermediário da pista, mais mesclado, mas nos trechos de maiores retas é quem levanta o pé primeiro. Uma piscada que custa caro.
Quem te viu, quem te vê, Sauber. É chover no molhado falar sobre a melhora que a equipe suíça, futura Audi, empreendeu no próprio carro desde o GP da Áustria para cá. De pior carro do grid, passou a lutar pelo topo do pelotão intermediário — em pontos, inclusive. Mas é irresistível ver que se tornou uma equipe de altas velocidades. Há um ano, Monza causava alergia e a última fila de cor e salteado. Agora, abre a porta para Gabriel Bortoleto mordiscar o posto de melhor do resto, atrás somente dos pilotos das quatro principais equipes do grid. A comparação da classificação de 2025 com a de 2024 é brutal: a Sauber foi 1s78 mais rápida que no ano passado. De longe, a grande melhora entre as dez equipes — a Aston Martin é a segunda, com distante 1s06.

Entendo muito bem se o leitor ou a leitora achar que este tópico está perdido por aqui. Não seria melhor falar de Ferrari de novo ou de Mercedes? Talvez a surpresa da velocidade de Fernando Alonso ou a eliminação da Williams? Tudo bem, é justo que cada um tenha sua própria visão do que é importante. Listas são assim. Mas num momento em que tanto se fala de Bortoleto e Isack Hadjar como os grandes novatos do ano, é bom tirar um espaço para exaltar Oliver Bearman. O jovem urso transformou no 11º lugar aquilo que parecia uma eliminação no Q1. Esteban Ocon, companheiro de equipe, também foi ao Q2, mas não é uma demonstração de ampla força da Haas. Não! É algo que mostra como a dupla de pilotos é forte. Ocon faz muito boa temporada e, mesmo assim, tem sido superado diversas vezes por Bearman. Na contagem geral de classificações oficiais, apenas as longas, Bearman levou a melhor oito vezes contra as mesmas oito de Ocon. Tudo empatado. É uma temporada de respeito.
É incrível, mas o quarto ano do efeito solo vai consolidando os carros atuais como os mais rápidos da história da Fórmula 1. Na classificação de Monza, a volta da pole de Verstappen se tornou a mais veloz de sempre na categoria, com média de velocidade de 264,6 km/h. O recorde anterior era de Lewis Hamilton, também em Monza, em 2020. É normal que os carros vivam o ápice do desempenho conforme um conjunto de regras se consolide, porque, aí, todo o mundo da engenharia da F1 aprende a tirar quanto for possível, mas é notável que o monoposto atual, inicialmente tidos como queda de velocidade em comparação àquele que esteve em curso até 2021, tenha virado tamanho foguete.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP da Itália AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO está IN LOCO em Monza para acompanhar todas as emoções da etapa com o repórter Leonid Kliuev.
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