Vai lá e segura Max Verstappen quando tem um carro forte. É uma atribuição muito difícil, praticamente impossível, como Monza mostrou. No GP da Itália deste domingo (7), Verstappen esmagou a McLaren com marreta laranja e venceu de maneira dominante pela primeira vez na Fórmula 1 2025. O GRANDE PRÊMIO destacou cinco coisas que tiramos da 16ª prova do ano.
É impressionante o que Verstappen faz quando tem carro para tanto. Por mais que não faça parte da luta pelo título, é bom que aconteça algo assim vez ou outra para que o público não perca a noção do que é grandeza. O tetracampeão deu verdadeira aula de como dominar uma corrida, com direito a mais de uma dezena de voltas mais rápidas.
A McLaren, por sua vez, parece ter talento ímpar para se envolver em problemas e arranhar a história de um campeonato que domina com tanta destreza. Monza mostrou mais uma dessas trapalhadas, que se evoluiu para façanha grotesca de ordem de equipe.
Fora das primeiras colocações, a corrida ainda teve Gabriel Bortoleto de volta aos pontos e Alexander Albon fazendo o suficiente para deixar Andrea Kimi Antonelli para trás no campeonato. A prova teve acidente entre Carlos Sainz e Oliver Bearman, abandono de Nico Hülkenberg antes mesmo da largada e Alpine distante de competir.
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O GRANDE PRÊMIO separou cinco coisas que aprendemos no sábado do GP da Itália, 16ª etapa da F1 2025.
Em mais de uma dezena das 53 voltas que deu durante o GP da Itália, Max Verstappen cravou o melhor giro da prova até aquele momento. Demonstração da maneira como dominou a corrida em Monza e conquistou a primeira vitória realmente contundente da temporada 2025, que tem sido de problemas para a Red Bull. A dúvida maior era se o desgaste de pneus gritaria a favor da McLaren, mas não aconteceu. O fato de arrancar a asa do RB21 para a pista italiana se pagou de maneira majestosa. Verstappen esmagou uma rival perdida e que arrumou enroscos para tornar derrota casual num desabamento memorável.
Em campeonatos longos como a F1 empreende nos tempos atuais, com 24 pistas, de todas as facetas possíveis, por dez meses do ano, perder é normal. Por melhor que sejam carro, projeto e preparação, as derrotas virão. É perfeitamente compreensível o motivo técnico da McLaren ser superada por alguém numa pista de Monza avessa às maiores forças deste carro. Mesmo no auge do domínio da Mercedes, por exemplo, existia um tipo de pista que servia de calcanhar de Aquiles e rendia derrotas com exclamação. É normal. Perder na Itália não deixaria maiores marcas. Mas o erro juvenil com Norris e a decisão de pedir uma antidesportiva mudança de posição de pista para o inocente Piastri foi estapafúrdia e será lembrada por muito tempo. Nasceu infame, rendeu vaias aos protagonistas e assim viverá. Virou mancha.
O que nos leva à segunda questão envolvendo os laranjas. Há uma briga pelo título em curso, por mais que Piastri tenha conseguido abrir importante vantagem também graças ao problema no carro de Norris nos Países Baixos. Mas a briga existe. É incrível, não dá para qualificar de outro jeito, que a McLaren tente fazer Piastri pagar o pato por um erro dos mecânicos com o rival. Mas é absolutamente assustador que o líder da Fórmula 1 tenha entregado seis pontos de bandeja para o único oponente pelo título. Seis pontos, sim, porque deixou de abrir mais três para a vantagem cair em três. Alguém pode falar em fair-play, e tudo bem. Mas fair-play se aplica caso você cometa um ato que prejudique o rival, no máximo. Não foi o que aconteceu. E se amanhã algo similar acontecer a Oscar, mas além de perder posição para Norris outro piloto passar junto? Norris terá de deixar o rival passar para que devolva a posição ao companheiro? Ou só não vai retribuir o favor? Nada disso faz sentido. Ordens de equipe não deveriam servir para limpar a cara da equipe por um erro dela própria às custas de um duelo individual por um campeonato.
A classificação foi enorme decepção, mas a Williams sabe lidar com situações adversas e grandes oportunidades. Créditos que precisam ser dados ao chefe James Vowles, responsável por reconstrução ainda em curso desde que assumiu, mais ou menos três anos atrás. Sempre forte em pistas de baixo downforce, como é Monza, tinha de se recuperar para pontuar no domingo. Presa no pelotão do DRS, agiu rápido quando se viu numa encruzilhada e, ao mesmo tempo, uma oportunidade. Foi quando a janela de pit-stops se abriu e fez com que alguns dos rivais que acompanhavam Albon e Sainz, então lado a lado, saíssem do caminho. Ao mesmo tempo, Carlos foi colocado sob investigação por não seguir as instruções do diretor de prova para voltar ao traçado após escapar para a grama. Com a possibilidade de andar de frente para o vento, no ar limpo, tinha uma decisão a tomar: fazer isso com Sainz, que podia ser punido, e deixar Albon atrás, cercando, mas sem abrir. Imediatamente, ordenou a troca de posições. Pior para Sainz, que acabou nem sendo punido e ainda levou a pior num acidente com Oliver Bearman pouco depois, mas Albon deu o pulo do gato que precisava. Acabou como melhor do resto, no sétimo lugar. Até ultrapassou a Mercedes de Antonelli tanto na corrida quanto no campeonato.
Ainda sobre o enorme trem de DRS que prendeu oito pilotos durante enorme trecho da corrida, era justamente Bortoleto quem liderava o grupo. Sem ter DRS para pegar, apenas via todo mundo atrás dele abrir a asa. Tudo bem que aproximações foram raras, mas saber cuidar dessa situação sem se equivocar e por tanto tempo é importante. Bortoleto tirou tudo que o carro tinha desde o sábado e largou extremamente bem. Deixou Fernando Alonso para trás nas primeiras voltas, quando foi necessário, passou Antonelli também. Até se engraçou contra George Russell. A Sauber errou ao marcar Yuki Tsunoda, primeiro a desfazer o trenzinho, e parou nos boxes cedo demais. Acabou custando uma posição ao brasileiro. De qualquer maneira, o rendimento foi novamente muito positivo. Maduro, em especial.
A Fórmula 1 retorna de 19 a 21 de setembro no GP do Azerbaijão, 17ª etapa da temporada 2025.