O assunto direção de prova ocupou boa parte da entrevista coletiva de Nico Hülkenberg nesta quinta-feira (4), dia em que os pilotos atendem à imprensa em Monza, que recebe o GP da Itália de Fórmula 1 neste fim de semana. Questionado pelo GRANDE PRÊMIO sobre os incidentes em Zandvoort no último domingo (31), um dos mais experientes pilotos do grid declarou que não viu motivos para punir Carlos Sainz em toque com Liam Lawson, mas aliviou para os comissários da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), principalmente em outros dois lances envolvendo Charles Leclerc.
Durante o GP dos Países Baixos, na volta 27, Sainz se enroscou com Lawson no momento em que tentava uma ultrapassagem por fora na curva 1, logo após a saída do safety-car, com ambos sofrendo danos e despencando no grid. A direção de prova avaliou o lance e culpou o espanhol, aplicando uma punição de 10s, que deixou o piloto da Williams possesso no rádio. Para este lance, Hülkenberg avaliou que os comissários erraram.
“Vi o incidente dele [Carlos Sainz]. Também não entendo por que ele levou uma punição por aquilo”, respondeu Hülkenberg ao GRANDE PRÊMIO. “Tenho certeza que vai trazer isso [ao briefing dos pilotos]. Mas aquilo parecia como uma relargada atrás do safety-car, coisa de corrida, sabe? Roda com roda, essas coisas acontecem”, completou o piloto da Sauber.
Outro lance polêmico na pista neerlandesa foi a ultrapassagem de Charles Leclerc sobre George Russell. Logo no início da corrida, o monegasco forçou para superar o inglês na curva 12, saindo da pista — passando pela zebra e brita — para despachar o rival. O representante da Mercedes detonou a direção de prova pela falta de punição ao adversário, pois os danos lhe custaram “1s por volta”.

O lance foi avaliado pelos comissários após o desfecho da corrida, sem nenhuma sanção a Leclerc. Olhando pelo lado do “fã de automobilismo” e também como piloto, Hülkenberg deu razão à decisão da FIA.
“Acho que tiveram a sorte de Leclerc não terminar a corrida, então não precisaram discutir nada. Como Russell ficou em quarto lugar, não houve dano algum, e o Leclerc não terminou. Acabou se resolvendo sozinho”, falou Hülkenberg.
“Tem razão [sobre ser estranho para quem assiste ter uma punição pós-corrida]. Vi que [Leclerc] estava fora da pista, mas foi uma grande ultrapassagem. O fã de automobilismo dentro de mim gostou. Isso é corrida: se colocar em uma brecha que não talvez nem exista, mas conseguiu completar a manobra. Achei ótimo para o espetáculo”, analisou Hülkenberg. “Quando se consegue ultrapassar, sempre precisa assumir algum risco. Não tem outro jeito em Zandvoort. Como piloto, teria odiado ver uma penalidade por aquilo também”, completou.
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Por fim, Hülkenberg foi questionado sobre a consistência das decisões dos comissários da FIA, que deram 10s para Sainz no toque com Lawson, mesma punição que Andrea Kimi Antonelli levou ao acertar e ocasionar o abandono de Leclerc. Foi quando o alemão apontou para a dureza da ocupação.
“Não sou muito bom nisso. Não tenho na memória todos os incidentes de cada corrida, porque geralmente você está tão ocupado olhando só para a sua própria corrida, para o que aconteceu ao seu redor. Então, não sei”, destacou Hülkenberg.
“Acho que é sempre difícil para os comissários também distinguir, separar. Mas no fim do dia, é corrida, coisas acontecem. Tenho certeza de que será discutido amanhã [no briefing]”, encerrou Hülkenberg.