Pelo sonho da F1, Colton Herta deixou para trás toda trajetória consolidada na Indy para ser reserva da Cadillac e disputar a temporada 2026 da Fórmula 2 para buscar os pontos da superlicença, assim estando, enfim, estar apto para categoria mais popular do planeta. O norte-americano admitiu que a movimentação é de grande risco, mas que é a melhor oportunidade de estar na Fórmula 1.
A pontuação para obter a superlicença sempre foi um problema para Herta, que chegou a se acertar com a AlphaTauri (atual Racing Bulls) para competir na temporada 2023 da F1, mas não recebeu autorização da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) por não ter conquistado os 40 pontos para obter a licença que lhe permitiria competir pela equipe.
Na época, a situação expôs a baixa pontuação para lograr a superlicença disponibilizada para a Indy, mas o passar dos anos também deixou evidente uma certa inconsistência do próprio Herta. Em 2022, em meio às conversas com a AlphaTauri, venceu somente uma etapa e terminou na décima posição no campeonato — em 2023, terminou na mesma colocação e sem vencer nenhuma etapa. Foi vice-campeão em 2024 com duas vitórias, mas a arrancada no fim do ano não foi suficiente para disputar o título, entrando na decisão em Nashville como coadjuvante do duelo entre Álex Palou e Will Power. Em 2025, sem vitórias, ficou na sétima posição.
A mudança para F2, em teoria, facilita a missão de Herta em chegar aos 40 pontos da superlicença, pois o campeonato de acesso à F1 distribui mais tentos do que a Indy. Enquanto apenas o campeão do certame norte-americano recebe os 40 pontos, a Fórmula 2 dá aos três primeiros a mesma pontuação. Nesse momento, o ex-piloto da Andretti tem 34 tentos e precisa somente de um oitavo lugar em 2026 para conseguir o carimbo que lhe competir na F1.

“Todo mundo viu o quão perto eu cheguei no passado, mas acredito que esta seja minha melhor oportunidade de chegar à Fórmula 1″, disse Herta ao podcast Off Track with Hinch and Rossi, apresentado por James Hinchcliffe e Alexander Rossi, piloto da Carpenter.
“É inútil negar, o fator risco… para mim, foi uma decisão incrivelmente difícil, porque sei o que estou deixando. Fica para trás um grande grupo de pessoas, um campeonato extremamente competitivo onde, se for o seu dia, você pode vencer. Enquanto vimos que na Fórmula 1 nem sempre é assim: é preciso ter o carro certo para competir”, prosseguiu Herta.
“A coisa mais fácil seria ficar na Indy. Seria simples para mim. Manteria a vida muito parecida. É um risco, mas é meu sonho, então pensei: esta é minha última chance. Quero fazer isso, quero aproveitar essa oportunidade. Para mim, trata-se realmente de lutar pelo meu sonho”, completou Herta.
Mesmo declarando que o movimento para a F2 e reserva da Cadillac represente a melhor chance de estar na F1, Herta indicou que não possui garantias de assumir um lugar como titular no time norte-americano — de propriedade de Dan Towriss, mesmo dono da Andretti — a partir de 2027. No entanto, o vencedor mais jovem da história da Indy destacou a aposta que está fazendo nele mesmo em busca deste posto na F1.

“Não [sobre ficar intimidado sobre a falta de garantia de um lugar na F1], não para mim. Como piloto, é preciso apostar constantemente em si mesmo. Para mim, esta é apenas mais uma dessas situações em que estou fazendo isso. Acredito em mim, que sou rápido o suficiente para conseguir”, apontou Herta.
“Não estou dizendo que será fácil, haverá muito trabalho para entender as diferenças entre as corridas de F1 e Indy, mas é algo em que me empenharei 100%. Se não acreditasse que poderia conseguir, mesmo sendo, como disse, um risco enorme, teria ficado na Indy. Mas acredito em mim, e creio que sou rápido o suficiente”, encerrou.
A Fórmula 2 retorna em Monza, de 5 a 7 de setembro, palco da rodada da Itália. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da temporada 2025.
▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ LEIA TAMBÉM: Cadillac aborda equipes da F2 por vaga de Herta em 2026 visando superlicença