McLaren até lidera sexta-feira com Norris, mas vê concorrência bem mais perto na Itália

McLaren até lidera sexta-feira com Norris, mas vê concorrência bem mais perto na Itália

Murillo Torres
Murillo Torres
Piracicaba - SP
Publicado em 05/09/2025 às 19h

A Fórmula 1 está em um dos palcos mais celebrados do calendário: Monza. E já seria especial apenas por ser casa da Ferrari, mas o circuito italiano também costuma proporcionar algumas surpresas, principalmente por conta da singularidade de seu traçado. Afinal, é uma pista velocíssima, mas que exige equilíbrio em função de trechos como a chicane após a largada e as curvas de Lesmo, por exemplo. Então, diante de um palco tão ímpar, não dá para esperar mais do mesmo. E ainda que a McLaren tenha sido capaz de liderar a sexta-feira (5) de treinos livres, a sensação ao olhar para a tabela de tempos apenas corrobora a impressão acima. Quer dizer, com os seis primeiros colocados separados por pífios 0s2, é possível dizer que os papaias devem enfrentar uma dura (e necessária) concorrência neste fim de semana.

Mas isso é uma péssima notícia para quem está na briga pelo título. De toda a forma, Lando Norris fez o que se esperava dele. O britânico se recuperou de uma primeira sessão longe da ponta e voltou forte à tarde, para comandar a folha de tempos, depois de virar 1min19s878 — e é bem verdade que ele poderia até ter sido mais rápido, não fosse o erro durante a simulação de volta única, com pneus macios. É importante dizer ainda que a McLaren tem um ritmo sólido de corrida, o melhor até aqui. O problema é que não está tão distante quanto costuma ser, e esse é outra questão que, certamente, vai permear as reuniões técnicas da equipe inglesa nesta noite. Max Verstappen e a Red Bull surgiram muito próximos em termos de desempenho em condições de prova. A diferença é de só 0s1.

Outro ponto que tende a gerar discussão diz respeito à configuração aerodinâmica. A McLaren descartou uso de um acerto mais extremo, se concentrando no equilíbrio em curvas de baixa e média velocidades, bem como no trato com os pneus. Tanto é verdade que o carro laranja perde em velocidade de reta para a Ferrari — a melhor do dia. “É o completo oposto ao nível de downforce de Zandvoort quando éramos facilmente os mais rápidos e a sensação era incrível. Aqui é o oposto”, admitiu Lando aos jornalistas.

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“Não é uma surpresa, é como já esperávamos, mas creio que não temos o mesmo desempenho em pistas de baixo downforce, como aqui, em relação às pistas de alto downforce. Os rivais se aproximam, as coisas ficam mais equilibradas e a nossa vida fica mais difícil. Mas acho que ainda estamos numa condição razoável. Há algumas pequenas coisas em que precisamos trabalhar e vamos melhorar um pouco”, prometeu o inglês, que viu o rival e companheiro de McLaren, Oscar Piastri, terminar o dia na quarta posição.

A impressão de um grid mais apertado é confirmada também pelos dados de simulação. Porque se a classificação parece incrivelmente parelha, os ensaios em condições de corrida mostraram que Monza deve representar um enorme desafio ao time liderado por Andrea Stella. Embora tenha reclamado da estabilidade do RB21, Verstappen ficou a 0s199 de Norris na tabela e, em stints mas longos, a diferença foi menor, diante do uso dos pneus médios. A verdade é que o tetracampeão apresentou uma performance bastante consistente. O ponto de interrogação aqui é entender qual o caminho os taurinos vão escolher para classificação, especialmente por conta dos problemas que ainda enfrentam em algumas curvas.

Mesmo assim, Max pareceu contente com o trabalho feito nesta sexta-feira. “Foi bom. Ano passado foi muito difícil, mas acho que estamos um pouco mais competitivos. Também fiquei feliz pelo carro. As sessões foram um pouco complicadas por conta dos pilotos que escapavam e levavam muita brita para a pista, mas, no geral, uma sexta-feira muito decente para nós”, afirmou o neerlandês.

Lewis Hamilton não voltou a liderar, mas ficou próximo do topo (Foto: AFP)

Além da Red Bull, a McLaren também deve encarar uma Ferrari fortalecida. Os italianos se prepararam para o GP de casa e levaram atualizações interessantes, como a asa traseira. E, sim, a escuderia escolheu uma configuração de pouquíssima carga aerodinâmica. Não à toa, estava voando nas retas. O problema são os trechos mais lentos, onde perde muito tempo para as rivais.

Contudo, os ferraristas estão na briga. Lewis Hamilton fez a torcida sonhar pela manhã, quando liderou o TL1, enquanto Charles Leclerc foi o segundo mais rápido à tarde, apenas 0s083 atrás do líder. Há aí uma oportunidade para os vermelhos. Em termos de ritmo de corrida, a equipe sustenta um déficit importante para os laranjinhas e os taurinos, mas tudo também vai depender da estratégia. O time de Maranello apostou muito nos compostos duros, também como forma de controlar o desgaste, em uma prova que tende a ser de uma única parada.

“Viemos de Zandvoort, onde usamos quase as maiores asas da temporada, enquanto aqui estamos do lado oposto em termos de downforce aerodinâmico. Portanto, precisamos nos adaptar, não apenas o carro, mas também os pilotos”, falou o chefão Frédéric Vasseur. “Fomos agressivos, ainda mais esta tarde, talvez exagerando um pouco, mas temos tempo para otimizar. Não houve grandes mudanças em termos de asa, não em comparação com as outras”, seguiu.

Há ainda dois fatores importantes para esse sábado e que não podem ser ignorados pela McLaren. A Williams será um elemento de preocupação. As curvas de alta velocidade e as retas são um bálsamo para o carro azulzinho, e isso deve colocá-los em uma forte posição na hora da definição do grid. E por último existe um ponto também fundamental, lembrando por Vasseur: “Essa é uma pista tradicional; um pequeno erro e você acaba na brita. É um aspecto fundamental para o desempenho e a confiança do piloto”.

A sexta-feira foi bastante tumultuada, marcada por escapadas de pista e bandeiras vermelhas, então todo cuidado será preciso. E isso talvez seja tão importante quanto a velocidade em Monza.

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