Verstappen dá aula de ousadia em Monza com pole, joga pressão na McLaren e se põe favorito

Verstappen dá aula de ousadia em Monza com pole, joga pressão na McLaren e se põe favorito

Murillo Torres
Murillo Torres
Piracicaba - SP
Publicado em 06/09/2025 às 19h

Ao fim da sexta-feira de treinos livres em Monza, Andrea Stella franzia a testa e alertava sobre a concorrência, muito mais perto do que o esperado em Monza. Só que, na cabeça do chefe da McLaren, a Ferrari representava a maior ameaça ao domínio papaia. 24 horas mais tarde, a previsão até se confirmou — os rivais estão próximos mesmo —, mas com um elemento diferente e consideravelmente mais letal. É que Max Verstappen enxergou uma oportunidade no conjunto da Red Bull e chamou para si a responsabilidade de alterações decisivas na configuração do carro, o que proporcionou a espetacular pole deste sábado (6). A performance foi tão primorosa que Verstappen também se torna favorito à vitória neste domingo. Aos laranjinhas resta agora a pressão por uma reação igualmente contundente, porque Lando Norris sai em segundo, logo à frente de Oscar Piastri.

Mas antes de falar sobre os dilemas da equipe inglesa em Monza, é importante destacar o trabalho de Verstappen. É correto dizer que a pole foi construída em partes. Embora tenha terminado as sessões livres mais feliz do que em outras sextas-feiras, o neerlandês reconheceu que a Red Bull tinha trabalho pela frente para entrar na briga. E isso ficou evidente no fim do TL3, quando Max decidiu ampliar o acerto e também buscar velocidade final. O truque foi ter encontrado um equilíbrio entre a eficiência nas retas e uma melhor estabilidade em curvas — sabidamente, os taurinos têm problemas em atacar zebras, por causa da altura do assoalho em relação ao solo, mas é também de conhecimento público que Max é capaz de anular certas dificuldades, ainda mais em um traçado que favorece um pouco mais o carro austríaco, como é o caso de Monza.

“Acho que aprendemos bastante sobre o carro deste ano em Zandvoort e espero que possamos usar esse conhecimento pelo resto da temporada”, afirmou o piloto #1 aos jornalistas. “Claro, devo dizer que nosso carro funciona um pouco melhor em pistas com downforce médio e baixo, porque sempre sofremos mais no meio das curvas, o carro sai muito de frente. Isso é algo que se consegue administrar um pouco melhor nesta pista”, completou Max, que detalhou a escolha do acerto aerodinâmico e como isso se tornou decisivo.

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“Bem, você toma decisões com várias pessoas, também com GP (Gianpiero Lambiase, o engenheiro de pista) e algumas outras pessoas ao meu redor. Mas, no fim das contas, sou eu quem está sentado no carro e sente certas coisas. Senti que precisávamos fazer apenas algumas pequenas mudanças e que seria melhor assim”, contou. “Ainda conseguia ver alguns rostos e algumas pessoas duvidando da configuração. Mas simplesmente pensei: ‘É isso que precisamos fazer’.”

“E nas minhas duas voltas do Q3, não cometi nenhum erro grave. Isso é sempre bem complicado de conseguir nesta pista. Freando em velocidades tão altas nessas duas chicanes, nem sempre é fácil atingir o ápice corretamente, mas hoje deu tudo certo”, celebrou.

Ainda, a volta em 1min18s792 também se tornou a mais rápida da história da F1, com uma média de velocidade de 264.682 km/h. É a quinta vez na temporada que Verstappen salta da posição de honra do grid. E diante do que apresentou até aqui, levando também em consideração o sólido ritmo de corrida, o neerlandês será uma pedra no sapato da McLaren, sim. “Acho que tenho um pouco mais de velocidade máxima, mas você também precisa ser rápido nas curvas. Eles são sempre muito fortes nesse aspecto e controlam os pneus melhor do que ninguém. Essa ainda é uma vantagem importante que eles têm, mas espero que nosso carro esteja um pouco melhor e que talvez eu tenha a chance de disputar com eles”, explicou.

De fato, a McLaren tem uma importante vantagem no desempenho em condições de prova. As simulações de sexta-feira mostraram que Norris tem um carro consistente e rápido. A questão aqui é que os papaias trabalham com uma configuração bem diferente da Red Bull. O MCL39 adora curvas lentas e de média velocidade, é o ponto forte deste projeto, por isso os engenheiros da equipe britânica investiram mais no equilíbrio nesses trechos do que propriamente em reta. Em uma comparação simples, Piastri e Norris aparecem apenas em 16º e 18º, respectivamente, na tabela das velocidades máximas, enquanto o tetracampeão está no top-10.

É também essencial colocar que, mesmo com um acerto distinto, Lando foi capaz de se recuperar ao longo da classificação e chegou até mesmo a cravar o melhor tempo nos instantes finais do Q3. No fim, teve de se contentar com uma diferença de apenas 0s077 para Verstappen. Oscar pareceu bem menos eficiente, mas fez o bastante para o terceiro lugar. Então, é possível dizer que a McLaren tem recursos suficientes para encarar o neerlandês de frente e tentar a vitória — ainda que também tenha de lidar com a disputa interna pelo título.

Lando Norris ficou sem a pole, mas superou o colega e rival, Oscar Piastri (Foto: AFP)

“Em justiça, Verstappen mostrou no Q3 que tem aquele décimo de segundo a mais de vantagem sobre nós”, reconheceu Stella. “Foi mais rápido em todo o fim de semana, então parabéns para ele e para a Red Bull. Mas acho que estamos em uma boa posição para amanhã. O ritmo da corrida será muito, muito apertado. Não esperamos desgaste alto, então não será somente uma questão de degradação e velocidade. Algumas variáveis serão importantes amanhã.”

“Então temos Monza, onde você tem de torcer para que tudo corra bem na primeira curva, assim como na primeira volta, e também há o medo de um safety-car em momentos infelizes. Historicamente, há muitas variáveis ​​nesta pista, então você tem de trabalhar duro e torcer para que não haja imprevistos”, completou.

E tudo que a McLaren não deseja são imprevistos. Uma menção aqui à Ferrari também vale. Apesar da decepção de ter ficado longe da briga, Charles Leclerc pode desempenhar um papel interessante da briga entre os ponteiros. A escuderia também apostou alto na velocidade de reta, e isso deve se transformar em um fator interessante, especialmente nas primeiras voltas.

Por fim, a estratégia. De acordo com a Pirelli, a tática deve ser mesmo a de um pit-stop, no uso dos pneus médios e duros. Claro que o momento da parada também será determinante. Só que, mais que isso, o GP da Itália será decidido pela eficiência e, aí, não se pode subestimar o rapaz do carro #1.

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